Nesam/UEA promove I Encontro Formativo sobre Literatura e Culturas Indígenas no Alto Solimões

Evento reuniu escritores indígenas, pesquisadores, estudantes e lideranças comunitárias em Tabatinga

O Núcleo de Estudos Socioambientais da Amazônia (Nesam), vinculado ao Centro de Estudos Superiores de Tabatinga (Cestb), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), realizou o “I Encontro Formativo Ĩgü̈maü̃nagü: Literaturas e Culturas Indígenas para o Bem Viver”, nos dias 14 a 17 de outubro. A ação integrou as atividades do projeto de extensão Ĩgü̈maü̃nagü: Encontros de Literatura e Cultura Indígenas no Alto Solimões, com programação nas comunidades indígenas de Belém do Solimões e Umariaçu I, no município de Tabatinga.

A programação incluiu rodas de conversa, oficinas, apresentações de trabalhos e diálogos com escritores indígenas e pesquisadores da educação escolar indígena de diferentes regiões do país. O evento reuniu acadêmicos, professores, estudantes, pesquisadores e integrantes de comunidades indígenas e não indígenas. Entre os convidados estiveram os escritores indígenas Tiago Hakiy e o Prof. Dr. Ytanajé Cardoso, que contribuíram para a valorização das produções literárias e culturais dos povos originários.

A iniciativa foi desenvolvida no âmbito das atividades do Nesam, coordenado pelo Prof. Dr. Pedro Henrique Coelho Rapozo, e contou com a participação da Prof.ª Dra. Gabriela Fernandes de Carvalho, subcoordenadora do projeto de extensão. A ação envolve comunidades indígenas da Tabatinga, Belém do Solimões e o povo Matis.

Sobre o evento

O nome Ĩgü̈maü̃nagü remete à expressão Ĩgü̈maü̃, que significa “algo que sobe” ou “algo que cresce coletivamente”. O conceito representa o processo de construção do conhecimento, que se desenvolve gradualmente por meio dos estudos, das experiências compartilhadas e do diálogo com os guardiões da floresta e os saberes presentes nas comunidades indígenas.

A abertura do evento reuniu representantes de instituições de ensino, organizações indígenas, órgãos públicos e lideranças locais. Participaram representantes da educação escolar indígena, da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), da Organização Geral dos Professores Tikuna Bilíngues (OGPTB) e da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas (Seduc-AM), além de representantes do poder público municipal e lideranças indígenas.

O encerramento ocorreu no dia 17 de outubro, na Maloca/Yü’üpataü̃, localizada na Comunidade Indígena do Umariaçu I. O espaço acolheu as atividades finais e reforçou a importância dos territórios indígenas como locais de convivência, transmissão de conhecimentos e fortalecimento das relações entre a universidade e as comunidades.

O encontro também marcou um momento importante para a comunidade acadêmica da UEA, por ter sido o primeiro evento acadêmico realizado com a primeira turma do curso de Pedagogia Intercultural Indígena do Cestb. A iniciativa contribuiu para aproximar a universidade das comunidades, reconhecendo os territórios indígenas como espaços de produção de ciência, conhecimento, cultura e formação.

Por: Jhennifer Sales