Curso de Gestão Ambiental completa dez anos e forma cerca de 400 profissionais no AM

Conheça um pouco da história do curso que tem a duração de três anos.

“Hoje, além da consciência ambiental adquirida por mim, atuo a convite de secretárias Municipais, vereadores e Escolas Municipais com palestras nas comunidades rurais e escolas. Isso é um ganho para a comunidade Parintinense, porque há uma mudança de pensamento quanto ao meio ambiente quando a população passa a entender de fato o que o meio ambiente sofre com as ações antrópicas. E como essas ações afetam de fato a vida do ser humano”. A afirmação é de Maria Neide Sousa de Almeida, 39 anos. Natural de Terra Santa, no Pará, que reside no município de Parintins (distante a 369 km de Manaus) desde o ano de 1996 e é uma dos 390 Gestores Ambientais formados pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em dez anos do curso implantado na instituição.

O tecnólogo em Gestão ambiental é um profissional que irá atuar como administrador de atividades econômicas e sociais de forma a utilizar de maneira racional os recursos naturais, visando à sustentabilidade. O gestor ambiental é responsável por estudar a relação do homem com a natureza com o objetivo de possibilitar o uso adequado dos recursos naturais de modo a preservar o meio ambiente. Além de analisar os impactos das atividades humanas no meio ambiente, o desenvolvimento de programas de educação e proteção ambiental é outra atividade que pode ser desempenhada por esse profissional.

O gestor ambiental, como o próprio nome já sugere, tem o papel de gerenciar os recursos naturais – solo, água, ar, fauna e flora – e conciliá-los aos interesses do setor público ou privado, garantindo práticas sustentáveis.

Em dez anos, a UEA formou 390 Gestores Ambientais nos municípios de Boca do Acre, Carauari, Itapiranga, Itamarati, Humaitá, Lábrea, Maués, São Paulo de Olivença, São Sebastião do Uatumã, Novo Aripuanã, Parintins e Tefé. Atualmente, a UEA conta com a oferta do curso nos municípios de Manacapuru e São Gabriel da Cachoeira com um total de 64 alunos. O curso tem a duração de três anos.

Maria Neide, formada na turma de 2016 em Parintins, explica que a vida acadêmica iniciou no Jornalismo, mas quando soube que a UEA ofertaria TGA, concorreu a uma vaga por acreditar que, além da formação que o curso daria, a área ambiental é muito promissora no mercado de trabalho. “TGA é muito ampla. O profissional que se gradua em TGA, estará apto a escolher seguir crescendo profissionalmente em qualquer outras das áreas que estejam interligadas no âmbito ambiental”, explica.

Para a professora do curso em Parintins, Fiorella Chalco, a profissão é de extrema importância para o estado do Amazonas, pois existem muitas empresas espalhadas pelos municípios que necessitam desses profissionais para garantir o bom uso dos recursos naturais e reduzir os impactos ambientais. “Assim, o desenvolvimento do Amazonas se dá de forma harmoniosa com o meio ambiente, trazendo benefícios para toda a comunidade. Além de formar profissionais competentes, também são formados cidadãos conscientes com o meio ambiente que propagam boas ações e sensibilizam a comunidade em que vivem”, salienta.

Valorização profissional

Os projetos de conclusão de curso auxiliam na formação profissional como ocorreu com Maria Neide que ingressou em primeiro lugar no Mestrado de Gestão e Regulação em Recursos Hídricos/ProfÁgua, também ofertado pela UEA. “As pesquisas do nosso Projeto Final do TGA foram feitas em cima de um levantamento sobre as ações antrópicas em uma microbacia aqui no município de Parintins e propor medidas para mitigar essas ações. Esse projeto foi muito importante para a formação que tenho hoje, atualmente estou no processo de defesa no Mestrado de Gestão e Regulação em Recursos Hídricos/ProfÁgua. O projeto me possibilitou a ingressar em primeiro lugar no mestrado pelo peso que deu ao ter pesquisado de forma indireta a gestão dos recursos hídricos no Município de Parintins”, enfatiza.

“Hoje nosso produto de mestrado, que já foi apresentado em Defesa de Qualificação, é a utilização de um aplicativo com informações no âmbito dos recursos hídricos (Leis, vídeos educativos, Biblioteca Hídrica, Quiz Hídrico e principalmente a participação da comunidade Parintinense em denúncias com vídeos e fotos direto ao Órgão Gestão Ambiental do Município”, destaca Maria Neide.

A coordenadora do Curso de Gestão Ambiental da UEA, Alcirene Maria da Silva Cursino, destaca que o curso permite a geração de conhecimento capaz de proporcionar aos acadêmicos possibilidades de desenvolver alternativas sustentáveis, com a criação de projetos inovadores para empreender a partir de uma base científica e despertar novas descobertas que possam ser viabilizadas em prol da comunidade. “Como gestores ambientais, esses profissionais podem contribuir na gestão dos recursos ambientais, de acordo com as especificidades dos municípios atendidos pelo curso e, por ser um curso tecnológico, a formação é direcionando a atender a potencialização e otimização das especificidades locais e, assim, promover o desenvolvimento e a interiorização no Estado do Amazonas”, enfatiza.

“A UEA nos possibilitou ingressar em um curso de TGA. Um curso de oferta especial que me dá suporte para atuação em áreas multidisciplinares. No campo profissional a oferta é ampla. Hoje me possibilito na atuação como docente, quanto na atuação como assessorar ambientalmente empresas, pessoas”, finaliza.

Curso na Pandemia

Durante a Pandemia do Coronavírus, o curso está atuando de maneira remota e teve que se adaptar à nova realidade e os usos de tecnologias digitais como Google Classroom, WhatsApp, email, google meets e telefonemas. De acordo com coordenadora do curso, os professores foram adequando as disciplinas de acordo com a necessidade da região. “Nossos professores são bem parceiros e os alunos bastante interessados, conseguimos nos adequar as necessidades”, explicou Alcirene.

Fiorella particularmente gosto de usar o WhatsApp, que é um aplicativo leve, pode ser anexado o material didático (slides, fotos, artigos, apostilas, vídeos), pode ser realizado debates, conversas, questionamentos e caso o aluno tenha alguma dificuldade de acompanhar no momento da aula, todas as conversas ficam gravadas e poderá acessar depois. “As aulas práticas e visitas técnicas são individuais ou em pequenos grupos, na qual são gravados vídeos para postar no grupo e promover a discussão da turma”, explica.

Já em São Gabriel da Cachoeira, a professora Rosilene Ferreira destaca que utiliza o CLASSROOM + Whatsapp + gravações de vídeo aulas a serem vistas pelos alunos e, posteriormente, tira dúvidas via Google Meet. “Fiz uma aula de Campo onde eu fui e fiz a filmagem pra passar, já que não podiam ir junto comigo”, finaliza.

Texto: Jacqueline Nascimento/Ascom UEA

Fotos: Arquivo/Fiorella Chalco

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