Os alunos do curso de Licenciatura em Matemática do Núcleo de Ensino Superior de São Sebastião do Uatumã da Universidade do Estado do Amazonas (NESSSU/UEA) executaram, neste mês de setembro, um projeto de extensão para incentivar a prática da matéria entre alunos do ensino fundamental no município. A mobilização aconteceu com os estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental 1 e, em seguida, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental 2, da Escola Estadual Fernando Ramos de Miranda.
As atividades, brincadeiras, conversas, explicações e, inclusive, os materiais lúdicos foram elaborados pelos próprios universitários. Os instrumentos de jogos foram confeccionados, pelos discentes da UEA, em um polo madeireiro local. Na confecção, foi utilizada a madeira muiracatiara, conhecida pela alta qualidade e durabilidade. Assim, os discentes participam de todo processo da oficina e oferecem ferramentas aperfeiçoadas.
Para a construção do trabalho, houve uma reunião entre os professores da UEA e a coordenação pedagógica da escola, com a qual a universidade já tinha uma parceira. A partir da comunicação entre as instituições, foi traçado um perfil acadêmico dos alunos que mapeou as principais dificuldades na aprendizagem.
Ressignificando obstáculos
Responsável pela idealização do projeto, o professor do curso de Licenciatura em Matemática do NESSSU, Carlos Frank Lima comentou que um dos alunos da escola apontou: “Tio, eu até consigo acompanhar o raciocínio da explicação, mas na hora de resolver os exercícios, não consigo”. Ao invés de encarar a dificuldade como um problema, o matemático enxerga um começo para a solução.
“Ao detectar onde está à dificuldade, já se resolveu boa parte do problema. O primeiro passo para solução é saber onde está o erro”, considera.
Todos saem ganhando
O professor salienta que todos os envolvidos acabam somando bons atributos na bagagem educacional. “Os universitários aperfeiçoam a formação, o aluno do ensino fundamental consegue consolidar o conhecimento, a escola alcança seus valores e missão, e toda a sociedade amazonense ganha com a capacitação dos jovens cidadãos”, pontua.
Os jogos produzidos têm um propósito por trás das brincadeiras. Não se trata de simplesmente jogar por jogar, para passar o tempo. Carregam várias ferramentas matemáticas da álgebra, trigonometria ou geometria que, para o aluno, está disfarçado de algo lúdico. Estão tendo acesso a um conteúdo que, se bem trabalhado em sala de aula, acrescentará bastante no conhecimento.
Como a ideia nasceu
Entre as intenções que levaram a equipe a persistir tanto na concepção do projeto, destaca-se a preparação para o exame do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Com base no perfil dos alunos, os professores e graduandos se engajaram para estimular as turmas a treinarem exercícios que possam melhorar o desempenho na prova. Para isso, conferiram as provas anteriores do SAEB, avaliaram os descritores mais críticos e desenvolveram atividades em cima das problemáticas.
Esta primeira mobilização foi resultado de articulação do NESSSU e da coordenação do curso de Matemática mediado por tecnologia da UEA com a Prefeitura de São Sebastião do Uatumã e coordenação da Escola Estadual Fernando Ramos de Miranda.
O que é o SAEB?
O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) é um conjunto de avaliações externas em larga escala que permite ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) realizar um diagnóstico da educação básica brasileira e de fatores que podem interferir no desempenho do estudante. Por meio de testes e questionários, aplicados a cada dois anos na rede pública e em uma amostra da rede privada, o Saeb reflete os níveis de aprendizagem demonstrados pelos estudantes avaliados.
Contribuição aos alunos
No planejamento da oficina, foi buscado fornecer atividade complementar aos universitários e oportunidade de iniciar interação com a população local. Outro objetivo foi mostrar aos alunos e professores da rede pública que a matemática pode ser ensinada de várias formas. Dessa forma, evita-se cair na estagnação.
“Existem muitas formas de ensinar como a matemática pode ser aplicada e como vivenciá-la no dia-a-dia, além da forma tradicional de ‘quadro e pincel, lápis e papel'”, disse Frank.
Ao reconhecer que a oferta do ensino em áreas distantes pode ser precária, o coordenador do curso de Matemática Mediado por Tecnologia da UEA, Alcides Castro, enfatiza o cuidado necessário para viabilizar a educação nos interiores.
“Muitos professores lecionam matemática sem ter formação ou aprofundamento na área. A partir do contato dos alunos da UEA com os alunos das escolas de ensino básico, os universitários se conscientizam para mudar esse cenário”, constata.
Resultados
O primeiro fruto gerado pela oficina foi o alcance que reverberou em todo São Sebastião de Uatumã. Depois de tomarem ciência da ação, gestores de outros colégios procuraram os organizadores do projeto para realizarem ações semelhantes nas respectivas escolas.
“Foi incrível observar nossos acadêmicos sentirem aquela sensação de dever cumprido, e os alunos da Escola Estadual Fernando Ramos de Miranda estavam com brilho nos olhos. Enquanto para nós pode parecer uma atividade comum, para eles, era algo totalmente novo. Estavam fascinados, pudemos notar”, lembrou Alcides.
Texto: Guilherme Oliveira/ASCOM UEA







