Projetos para acadêmicos indígenas da UEA comemora dois anos com debates online

Evento abre a oportunidade para diálogos e acontecerá no dia 26, às 18h, pela plataforma Meet.

Para celebrar o 2º ano dos projetos de extensão da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) “Tecendo diálogos interculturais e Práticas de Leitura e Escrita: O Português para acadêmicos indígenas”, a coordenação das iniciativas promoverá no próximo dia 26 de outubro, rodas de conversas online com trocas de experiências entre alunos indígenas da UEA e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O evento será realizado pela plataforma Meet, às 18h (horário Manaus).

Para os coordenadores dos projetos, a iniciativa tem grande importância para os acadêmicos e para a própria universidade, uma vez que abre possibilidades para outros diálogos com a diferença. “Esse trabalho tem uma relevância para a comunidade, pois oportuniza o conhecimento e o debate sobre a diversidade da nossa região, sobre o português indígena, sobre a relação com a arte e com outras linguagens. Durante esse período tivemos a apresentação de trabalhos de alguns acadêmicos indígenas em eventos e muitos estão engajados em pesquisas ocupando assim, seus espaços dentro da Universidade. Estamos muito felizes com os resultados obtidos nesses 2 anos de atividades”, disse a professora Célia Bettiol, uma das coordenadoras.

Sobre o projeto

Os projetos acontecem em Manaus e os integrantes são acadêmicos/as indígenas e não indígenas matriculados nos diferentes cursos de licenciatura da Escola Normal Superior (ENS-UEA) e, também, nos cursos de Ciências Econômicas , Teatro e Enfermagem. O grupo se reúne semanalmente às quartas feiras.

Os discentes não indígenas participantes do projeto, atuam como apoio no desenvolvimento das outras formas de linguagem artísticas, como três (03) participantes bolsistas do curso de Teatro, e quatro (04) monitores do projeto “Práticas de leitura e escrita: o português para acadêmicos indígenas”, que atuam em conjunto com o projeto “Tecendo Diálogos Interculturais”, inclusive com os mesmos coordenadores, que são professores da área da Educação e do curso de Teatro.

O projeto Português para acadêmicos indígenas assume a língua nativa como símbolo de uma cultura e o português como língua de contato, com funcionalidades específicas que não se sobrepõem à língua de origem dos estudantes indígenas.

O nome “Tecendo Diálogos Interculturais” remete à metodologia utilizada no mesmo. Tecer é uma atividade que faz parte do cotidiano dos povos indígenas e quase sempre é feita de forma coletiva e colaborativa. No projeto o sentido de tecer é a construção conjunta de um espaço de diálogo intercultural.

As ações realizadas conjuntamente tem oportunizado criar um repertório teórico prático intercultural que possibilita um aprendizado coletivo que alcança docentes e discentes.

A primeira versão dos projetos iniciou em outubro de 2018 com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PROEX/UEA) e tem ganhado robustez nas atividades desenvolvidas.

O Projeto conta com a parceria do Tabihuni: Núcleo de Pesquisa e Experimentações das Teatralidades Contemporâneas e suas interfaces Pedagógicas CNPq/ESAT-UEA, visando, também desenvolver pesquisas voltadas para o campo da corporeidade, da performance arte e do ritual indígena em diálogo com as interfaces pedagógicas propostas pelo projeto. A parceria com o Tabihuni, também vai ao encontro do desejo em desenvolver atividades como montagens artísticas, vídeos-performances, publicações de artigos e livros e realização de eventos artísticos e acadêmicos junto com o povo indígena da Amazônia Brasileira.

Destacamos a criação do canal Ore-Diálogos, na plataforma do YouTube, onde divulgam conteúdos voltados às suas vivências na universidade e outros temas, assim como a apresentação de trabalhos em eventos científicos.

Os coordenadores dos projetos Profa. Célia Aparecida Bettiol, Profa. Jeiviane Justiniano da Silva, Prof. Luiz Davi Gonçalves da Silva e prof. Wellington Douglas dos Santos Dias analisam que a iniciativa tem tido resultados relevantes para os acadêmicos e para a discussão intercultural e que o planejamento para 2021 será bem intensa e com diferentes possibilidades para os integrantes.

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